
Propondo uma linha comum entre as obras A Mais Forte (1888) e Persona (1966), a peça Strindbergman traz o encontro entre teatro e cinema, colocando no palco do Viga Espaço Cênico uma produção que mescla tecnologias dos dois gêneros.
August Strindberg e Ingmar Bergman tiveram, cada um em sua obra, a intenção de explorar a antítese entre palavra e silêncio. Uma personagem que não fala manipula outra que não consegue se calar. Esta é Elisabeth Vogler, atriz que, durante uma apresentação, emudeceu. A enfermeira Alma passa a cuidar dela e fica fascinada, iniciando um jogo de espelhos. Exiladas em uma casa de praia, as duas mulheres assumem o contraste. Alma não para de falar e expõe traumas, medos e desejos em uma provocação de reações inesperadas.
No papel das personagens Elizabeth e Alma estão, respectivamente, a brasileira Nicole Cordery e a franco-brasileira Janaína Suaudeau, sob a direção francesa de Marie Dupleix, da companhia parisiense Les Mistons. A atriz Clara Carvalho, integrante do Grupo Tapa, faz participação especial como a médica responsável por Elizabeth.
Plasticamente impecável, a encenação traz eficiente cenografia (que transforma o espaço em um leito hospitalar e em uma beira de mar) e usa projeções de cinema para evocar a dramaturgia de Strindberg.
O espetáculo integra a programação do Ano da França no Brasil e o Festival Strindberg, que foi realizado no Viga em novembro e dezembro.
Strindbergman
Até 20 de dezembro
Viga Espaço Cênico
Rua Capote Valente, 1323 (entre a rua Heitor Penteado e a Amália de Noronha). Próximo ao metrô Sumaré
Informações: (11) 3801-1843

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.
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