
O filme Kurt Cobain: Retrato de uma Ausência tem público certo e cativo. É direcionado aos fãs do cantor.
Para aqueles que não conhecem bem a trajetória do Nirvana, nem vale a pena assistir. É preciso ter algum tipo de vínculo emocional com o filme. Do contrário, ele não funciona.
Isso porque o filme é composto em sua quase totalidade de imagens filmadas em situações diversas para ilustrar o depoimento que o cantor deu para o jornalista Michael Azerrad em quase 25 horas de gravação de audio.
O primeiro resultado desse material bruto foi o livro "Come as You Are: The Story of Nirvana”, publicado em 1993. Agora o diretor AJ Schnack decidiu usar as inéditas gravações com propósito cinematográfico.
Mas o resultado não foi dos mais agradáveis para aqueles que assistem com o objetivo de se entreter. É bonito e triste, mas nem por isso menos enfadonho, ouvir Kurt falar sem parar sobre sua vida e planos para o futuro.
O filme não acrescenta muito à imagem do cantor já está construída no imaginário coletivo e não oferece nenhum tipo de explicação à sua trágica morte. Na verdade, escutar ele falar sobre se dar um tiro, como ele faz várias vezes no filme, não tem graça nenhuma.

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.
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