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As luzes do Teatro Frei Caneca se acendem. Começa a encenação de Medéia, clássico escrito por Eurípides antes de Cristo. A gente se acomoda e começa a prestar atenção na peça. De repente, do nada, a atriz principal decide parar tudo. E começa a falar de sua vida pessoal. Na verdade, estamos assistindo ao espetáculo A Loba de Ray-Ban, a versão feminina de um clássico.
Isso porque o texto da peça foi escrito por Renato Borghi, o mesmo que escreveu em 1987 O Lobo de Ray-Ban, um dos espetáculos mais marcantes do teatro brasileiro, protagonizado por Raul Cortez. A peça atual também está sendo dirigida por José Possi Neto, o mesmo diretor da montagem da década de 80. E parte do elenco estava no primeiro espetáculo: Cristiane Torloni era esposa do protagonista enquanto Leonardo Franco era um jovem ator que se envolvia com Cortez.
Agora, os papéis se invertem e Torloni vive o papel do falecido Cortez, sendo a personagem Júlia Ferraz, uma empresária que vive um triângulo amoroso com o ex-marido (Leonardo Franco) e sua amante, uma jovem atriz (Maria Maya). Os três personagens são atores e fazem parte da mesma companhia teatral.
Tratando de temas que são tabus, o espetáculo tem por objetivo abordar a honestidade no relacionamento entre as pessoas. A discussão sobre a sinceridade dos personagens perpassa toda a peça, em paralelo com a paixão pelo teatro que une os três. A relação entre a empresária e a jovem atriz é apenas um detalhe numa trama maior e complexa.
Preconceito, ciúme, medo, competição, todos esses sentimentos são vivenciados no palco e compartilhados com o público que reage, perplexo, à verborragia e tristeza de tão complexo trio. Ainda é um clássico. Mas bastante evoluido em sua versão feminina.
A Loba de Ray-Ban
Até 28 de março
Teatro Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 - 6º Andar, Consolação, São Paulo
Informações: (11) 3472-2226 / 2229 / 2230

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.

Peça de Chico Buarque e Ruy Guerra questionam a versão oficial dos fatos através de um personagem histórico.
A atriz, cujos trabalhos sempre estiveram ligados à música, desvincula-se do rótulo que sempre a acompanhou e mostra-se uma atriz versátil.
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A peça dá ao autor uma segunda chance de confrontar o amante de sua mulher e conversar com ela a respeito da tragédia de acometeu os três.
O Opperaa é uma revista de crítica de arte, criada no início de 2008. É pop e segmentada, local e global. Aqui, você encontra:
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