
Mar Quente, recente livro lançado pela editora Dublinense, é uma obra de contos em sua essência. Gênero tão amplo em temáticas e construções estilísticas, apropriados por grandes autores e essencial para entender obras, escolas e biografias.
Embora não seja sua primeira incursão pela produção literária, Enio Roberto debuta editorialmente com uma obra ao mesmo tempo sucinta e cheia de vigor. Se a brevidade dos textos, narrativas e extensão final é perceptível à primeira mão, a leitura implica num mergulho profundo por universos e vozes diversas, de cores variadas e estilos peculiares. São ao todo 14 contos, com temáticas diversas, mas sempre provocativas.
Confira o que o Enio tem a dizer sobre o livro:
Ao ler Mar Quente, e refletir um pouco sobre a temática da obra, ficamos com uma impressão de coerência implícita. Embora a sucessão de contos não componha uma única história, suas temáticas (excêntricas, amorais... que seja) caminham num sentido único. Como foi dar essa coerência a um universo tão multifacetado?
O clima harmônico intertextos nasceu, decerto, da personalidade de cada narrador de cada história. Isso veio dar um clima legal ao livro, tendendo algumas pessoas a pensarem que "esse cara sabe o quanto escreve". Entretanto, confesso, que essa tal coerência foi algo acidental. Nota-se que até os narradores politicamente incorretos, maioria no conjunto do Mar quente, são, digamos, pessoas "legais". Ou, no mínimo, tem seus atos justificados no enredo. Foi isso que criou unidade e harmonia, mas, repito, não proposital.
A narrativa também é bem harmônica, sobretudo no que diz respeito à brevidade. Você considera esta uma característica essencial de Mar Quente?
Ah, a brevidade! Temos de cuidar, hein? Estabelecê-la é arranjar, quase sempre, complicações com a tensão da trama. Mas sem ela, com certeza, eu não publicaria o livro. Eu tenho medo de incomodar as pessoas. Por isso, sei que quanto mais breve eu for numa chatice, melhor para mim e para o meu leitor. Desde já, obrigado a meus professores por me tornarem assim, meio sintético.
Embora tenha vencido o prêmio Destaque, participado de oficinas e cursos, este é seu primeiro livro. Como foi a condução do projeto?
Foi traumática e morosa. Mas deu certo. Não ficando a mediocridade exacerbada, muita gente desconhecida vem comentando, para cima, o Mar quente.
Enio Roberto nasceu e mora em Porto Alegre (RS). Cursou a 23ª oficina de criação literária da PUCRS, ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil. Participou de grupos de escrita criativa coordenados por Charles Kiefer e Valesca de Assis. Frequentou os seminários de Léa Masina. Foi vencedor, na categoria conto, do prêmio Destaque – Revelação Literária do Palco Habitasul em 2000.
O Opperaa é uma revista de crítica de arte, criada no início de 2008. É pop e segmentada, local e global. Aqui, você encontra:
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