
O que seria de nós sem a existência de pessoas que dão sentido à nossa vida? Essa é a pergunta que norteia o espetáculo Suspensão, montagem da Trupe Acima do Bem e do Mal que está em cartaz no Espaço dos Satyros até 04 de fevereiro.
Numa época sem a delimitação do tempo, as pessoas deixaram de existir, restando apenas Ele (Davi Foster), Ela (Fernanda Lins) e o Avô (Ademir Esteves). No prólogo, os personagens passam os dias procurando vida, mas não encontram ninguém por onde passam e, por conseqüência, essa procura deixa de fazer sentido. Após a constatação de que todos os caminhos e todas as possibilidades foram extintas, resta apenas o tédio e uma certa dose de neurose individual que cada personagem desenvolve.
Ele não se cansa de sair todos os dias em busca de vida lá fora; Ela expõe um comportamento obsessivo na tentativa de engravidar e repovoar a terra; e o Avô entra em um estado de apatia em que nada o mobiliza, sendo manipulado continuamente pelos outros dois.
Gregório (Mateus Barbassa, também diretor do espetáculo) e Sidarta (Maria Angélica Braga) estão em apenas uma cena. Querem fundar o Movimento dos Fetos Suicidas, não querem nascer. Enquanto isso, o Avô relembra uma época antiga, ouvindo no rádio gravações de um discurso sobre a Teoria da Água e a origem da vida. A “teoria inventada” é um contraponto sobre a ciência e sua visão concreta para explicar as coisas, mostrando que constantemente o ser humano busca certezas com as quais possa continuar a viver em paz.
Ao invés de seguir o caminho sugerido por Sartre e retratar personagens que são obrigados a conviver, a trupe criou uma situação na qual as três pessoas escolhem permanecer unidas, para tentar dar significado às suas vidas. A intenção do espetáculo é fazer o público refletir a respeito da importância que tem o outro e como é a presença deste que move as nossas atitudes mais significativas.
Suspensão
Montagem da Trupe Acima do Bem e do Mal
Toda Quinta-feira, às 21h. Até 04 de fevereiro
Espaço dos Satyros Um
Praça Franklin Roosevelt, 21, São Paulo
Informações: (11) 3258-6345

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.

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