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Reviews // Música

Música \ por Salomão Terra \ 04.02.2010

Massive Attack

Heligoland e o padrão Massive Attack de produções

Em quase duas décadas de estrada, o Massive Attack ainda é referência de produção no campo da música eletrônica. E Heligoland prova isso

Massive Attack

Massive Attack é um nome de peso e não se intimida com isso. O duo, que após 19 anos lança seu quinto disco, conserva o mesmo vigor e autenticidade de sua origem, na cidade inglesa de Bristol, onde foram considerados os fundadores do Trip Hop, gênero que contém em suas fileiras nomes como Portishead e Tricky.

Sem uma história pessoal de muitas vicissitudes, mas dotados de álbums ímpares, o Massive Attack é uma das raras bandas que primam pela autoria sob qualquer pressuposto mercadológico. Escutar um de seus álbuns é uma experiência única, que dificilmente poderá ser repetida com trabalhos de outras bandas.

Heligoland é o novo disco, um trabalho que conta com inúmeras colaborações, 10 faixas e dinâmico em sua produção.

Pray For Rain conta com a colaboração de Tunde Adebimpe no vocais. O cara é, nada mais nada menos, que o vocalista do TV On Radio, presente aqui mostrando algo mais arrastado do que é perceptível em seus trabalhos. A faixa conta também com um baixo bem marcado construindo ambientação para elementos percussivos em abundância.

Babel conta com a participação de uma das pioneiras do Trip Hop, Martina Topley-Bird, responsável pela gravação dos vocais de Maxinquaye, álbum de estreia de Tricky. Escutar sua voz em um fone de ouvido é estar sucetível a arrepios na espinha. Doce e profunda, enebria-nos com batidas de drum'n bass e microfonias associadas a um compasso emergencial.

Splitting The Atom dá título também a EP lançado em meados de 2009, e traz o duo sendo contraposto pelo jamaicano Horace Andy, numa melodia de teclados em evidência. Girl I Love You também apresenta o músico, desta vez com naipe de sopro timbrado em complexas texturas.

Psyche traz novamente Martina, mas desta vez expressando-se harmonicamente com arranjos de cordas. Guy Garvey, do Eldow, tem voz semelhante a do sr. Yorke e dá as caras em Flat of the Blade, uma faixa indefinida e, para não dizer que só de músicas boas constrói-se o trabalho, é inserida no conjunto.

Hope Sandoval aparece em Paradise Circus, uma mulher de poucas palavras (dizem), que não permite câmeras em seus shows e já trabalhou ao lado de nomes como AIR, Chemical Brothers e The Jesus and Mary Chains. Esta é, sem dúvida, a faixa mais heterogênea, passenado pelo clássico e percussivo, com seu vocal entreposto por palmas.

Das 3 faixas finais, duas não contaram com colaborações externas. Rush Minute e e Atlas Air  são brilhantes em seu colorido. A última, em específico, é densa e resgata o lado mais marcante do trip-hop, com um leve balanço.

Damon Albarn, do Blur, aparece em Saturday Come Slow, um brit-pop de marcas inconfundíveis e uma cadência inimaginável para a voz de Albarn, mas perfeitamente harmônica.

Veja também o clipe de Paradise Circus:

Detalhes

Mais do Massive Attack em seu site e Myspace.

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