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O que primeiro (mas não principalmente) me chamou a atenção no romance A Coisa Não-Deus, de Alexandre Soares Silva, foram os finais de parágrafo, onde ele costuma jogar uma frasezinha em inglês ou francês, sem tradução ou nota de rodapé. Quem não entendeu, ficou sem entender. Mas longe de mim ser militante da democracia no mundo literário, ainda mais após saber, através do livro em questão, que no paraíso o que mais se preza são mimos e frivolidade.
Alexandre, que é o próprio narrador e personagem principal da historia, explica que alguns sortudos, quando morrem, passam a viver em um lugar magnífico chamado Quaresmeiras Roxas, esperando pela próxima encarnação. Dentre os habitantes estão Grace Kelly, Chordelos de Laclos, Mozart e a rainha Cristina da Suécia. Se eu soubesse algo sobre livros espíritas, eu diria que se parece com um, porém bom.
As personagens do livro são suficientemente bem construídas e descritas, de forma contemporânea e com direito a fios de cabelo e unhas do pé. Os anjos são enormes, alados e hedonistas; os espíritos não alados gostam de parecer pessoas reservadas, mas às vezes se esquecem disso e não param de falar; Deborazinha Deborazinha é uma portuguesa lindinha e eu acredito nisso, apesar de já ter vivido em Portugal. Júlio Dapunt é o apelidado coisa-não-Deus. Isso devido ao fato de que, diferente de todos os outros seres, ele simplesmente deixará de existir quando morrer, sem direito a reencarnação, after live, squad.
Romance pretensioso e audaz, características que provavelmente também fazem parte da personalidade do autor, de acordo com a página www.formspring.me/soaressilva onde Alexandre Soares Silva responde a diversas perguntas feitas por fãs e/ou engraçadinhos.
A coisa-não-Deus, de Alexandre Soares Silva
Saiba mais sobre a obra no site da Editora Barracuda

Jornalista, apaixonada por cultura, viagens e literatura. Tem vários cachorros. É cosmopolita e também apreciadora da natureza. Se considera cidadã do mundo e quer sempre conhecer mais sobre diferentes culturas e opiniões. Siga no Twitter ou visite seu blog, Ótimas Mentiras.
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