
Não há dúvidas de que David Grossman é um destes escritores que incorporam à sua obra elementos de vida pessoal e leituras incontestáveis de seu mundo ao redor.
Prova disso foi seu penúltimo romance, A Mulher Foge, lançado no Brasil no último ano, com grande repercussão editorial e a inevitável ligação à história da morte de seu filho, vítima dos conflitos entre Israel e Palestina. O próprio autor é Israelense e vivencia de perto esta realidade.
Desta vez, não há apelo político implícito e nem mesmo temáticas adultas. Duelo é a faceta infanto-juvenil do escritor, que chega neste mês ao Brasil pela Cia das Letras.
Já em idade adulta, ele relembra um episódio de infância, envolvendo seu melhor amigo de então, um senhor chamado Rosenthal. O cenário toma ares tragicômicos quando o velho recebe a carta de um desafeto, que o acusa de ter roubado uma valiosa pintura. Negando, Rosenthal propõe um duelo de armas.
Neste momento, e valorizando a premissa heróica de narrativas infanto-juvenis, David entra como intermediador, investigando o verdadeiro sumiço da obra para poupar seu velho amigo de riscos de morte, construindo um delicioso escopo de memórias e sentimentos poéticos.
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