
A figura de Paul Weller no clipe de Going Underground, da banda inglesa The Jam, sintetiza por si só todo um paradigna que impregnaria o cenário musical daquele país nas décadas subseqüentes. Estamos em 1980 e a banda de Paul Weller apresentara seu primeiro single. Melodia grudenta, levada no limite entre o pós-punk e tendências radiofônicas demostram apuro e similaridade com o quase já estabelecido brit-pop.
Ele mesmo, anos depois, participou ativamente como incentivador e até em jam’s das produções de bandas como Oasis, Ocean Colour Scene e Blur, ajudando assim a fundamentar as bases da música inglesa em seu aspecto mais comercial.
A propósito, parece ter vindo do The Style Council (projeto em que integrou-se durante 1983 a 1989), sua faceta mais aberta. Na banda, ele dialoga com pop purista, soul e R&B. As guitarras dão lugar a teclados e melodias quase construídas como trilhas sonoras de filmes da sessão da tarde. É extremamente doce, mas releva estruturas que o músico usaria inclusive em carreira solo.
E agora, décadas depois de suas contribuições iniciais ao universo pop, ele chega ao seu décimo álbum solo de estúdio, intitulado Wake Up Nation, que aliás conta até com colaboração de Bruce Foxton, companheiro e fundador original do The Jam.
Falando do álbum em si, é nítido que ele encontra-se num estágio de grande maturidade, em que rótulos, tendências ou padrões de produção pré-estabelecidos pouco conduzem o trabalho. Wake Up Nation é um trabalho coerente mas heterogêneo. Há algo de rock, de pop, de jazz e a parte instrumental é bem resolvida. Para o público saudoso, há lugares confortáveis. Para quem curte indie rock e brit pop, também há momentos de identificação. Mas acima de tudo, Paul Weller mergulha-se num universo de riqueza musical, com composições que revelam-se nos mínimos detalhes.
Moonshine abre numa melodia urgente e arranjos de teclado que lembram swing jazz. Guitarras atacam durante toda a música com timbres sujos e riffs matadores. Em seguida, a faixa título Wake Up The Nation resume toda a história de Weller e sua influência para a construção do estilo radiofônico britsh. Sua voz é convidativa e a levada é facilmente assimilável.
In Amsterdam é uma das faixas mais introspectivas com bela melodia e arranjos de piano. Aim High flerta de perto com a new wave em seus sintetizadores. Tem guitarra swingada e um quase sentimento soul. Whatever Next é sua contribuição à música eletrônica. Em Two Fat Ladie, faixa que encerra o disco, Weller parece homenagear o movimento punk no qual o The Jam surgiu, se formou, mas parece nunca ter feito parte.
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