O Pelicano, peça de nome peculiar, chama a atenção principalmente por dois motivos.
Primeiro porque é a encenação de texto de August Strindberg, um dos mais importantes dramaturgos da história. O espetáculo mostra o quanto pode se degradar um ser humano por causa da decadência financeira.
O ser humano em questão é uma mãe (Sheila Gonçalves), que orgulha-se de ser uma espécie de pelicano para os filhos, ou seja, a ave que dá o próprio sangue para alimentar a cria.
Na verdade, trata-se de uma mulher diabólica que, depois de apressar a morte do marido, casou a filha (Patricia Castilho) com seu próprio amante (Flavio Baiocchi), além de condenar o filho (Flavio Barollo) a um desespero alcoólico.
Como testemunha da amoralidade e da avareza da família que, embora pobre, insiste em manter a aparência burguesa, está a governanta Margret (Mari Nogueira), há anos convivendo com tanta sordidez.
O outro detalhe que chama a atenção na peça: a violência, tanto verbal quanto emocional. É somente para estômagos e mentes fortes.
Esta montagem foi convidada pela direção do Teatro Íntimo de Estocolmo para se apresentar lá em 2012, ano do centenário da morte do Strindberg. Afinal, foi O Pelicano que inaugurou aquele teatro, em 1907.
O Pelicano
Texto de August Strindberg, direção de Denise Weiberg
Com Sheila Gonçalves, Flavio Barollo, Patricia Castilho, Flavio Baiocchi e Mari Nogueira
Teatro Sérgio Cardoso
rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo
Informaçôes: (11)3288-0136

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.
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